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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Leis sobre sexo no mundo

1 - No Líbano:

Os homens podem legalmente ter relações sexuais com animais, mas têm que ser fêmeas. Relações sexuais com machos são puníveis com a morte.

2 - No Bahrain:

O médico pode legalmente examinar a genitália feminina, mas ele é proibido de olhar diretamente para ela durante o exame. Ele pode apenas olhar através de um espelho.

Pôr a mão pode, olhar não!

3 - Nos países de religião islâmica muçulmana:

Os muçulmanos não podem olhar os genitais de um cadáver. Isto também se aplica aos funcionários da funerária. Os órgãos sexuais do defunto devem estar sempre cobertos por um tijolo ou por um pedaço de madeira.

4 - Na Indonésia:

A penalidade para a masturbação é a decapitação!

Mas de qual cabeça ?!?!

5 - Em Guam:

Há homens em Guam cujo emprego em tempo integral é viajar pelo país e deflorar virgens, que os pagam pelo privilégio de ter sexo pela primeira vez. Isso porque pelas leis de Guam, é proibido virgens se casarem.

Agora diz pra mim: existe emprego melhor que esse no planeta?!

6 - Em Hong Kong:

Uma mulher traída pode legalmente matar seu marido adúltero, mas deve fazê-lo apenas com suas mãos. Em contrapartida, a mulher adúltera pode ser morta de qualquer outra maneira pelo marido.

Ô Shing Ling, chifrudo; mata com machadada!!!

Não consegui esquecer de Guam…

7 - Em Liverpool, na Inglaterra:

A lei autoriza vendedoras a ficarem de topless, mas somente em lojas de peixes tropicais.

Vai ver que é pro comprador mostrar a vara!!! (de pesca)

Pô, como deve ser o teste para este emprego em Guam ?

8 - Em Cali, na Colômbia:

Uma mulher só pode ter relações sexuais com seu marido, quando na primeira vez que isso ocorrer, sua mãe estiver no quarto para testemunhar o ato.

Imagina a cena; você transando e a sogra lá só assistindo… Fala sério ô de Cali!

… Ainda continuo pensando em Guam…

Como faço para mandar meu curriculum?

9 - Em Santa Cruz , na Bolívia:

É ilegal um homem ter relações com uma mulher e a filha dela ao mesmo tempo.

10 - Em Maryland, nos Estados Unidos:

Preservativos podem ser vendidos em máquinas, somente em lugares onde são vendidas bebidas alcoólicas para consumo no local.

Fonte: milhares de sites na internet, ou seja, google.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Houve na história alguma mulher que contribuiu para o desenvolvimento da matemática?

Na história datada desde o século cinco antes de Cristo, tem-se vários registros de mulheres que prestaram grandes contribuições para a matemática. Dada a dificuldade que tinham de serem aceitas na comunidade científica, algumas chegavam a vestir-se de homem para conseguir avançar em seus trabalhos. Em geral, as que tinham mais acesso às ciências eram as filhas ou esposas de estudiosos.

A mulher sente mais frio que o homem?

Não. A sensação de calor é genética e depende da quantidade de receptores de calor sob a pele. E isso independe do sexo da pessoa.

Como surgiu a expressão “falar pelos cotovelos”?

A frase, que significa “falar demais”, surgiu do costume que as pessoas muito falantes têm de tocar o interlocutor no cotovelo afim de chamar mais a atenção. O folclorista brasileiro Câmara Cascudo fazia referência às mulheres do sertão nordestino, que à noite, na cama com os maridos, tocavam-nos para pedir reconciliação depois de alguma briga.

Por que as grávidas sentem vontade de vomitar?

Não se sabe ao certo a causa dos vômitos na gravidez. Segundo o ginecologista José Bento de Souza, existe uma teoria de que o centro que comanda a náusea e os vômitos, localizado no cérebro, estaria hiper estimulado durante o período. Outra corrente tenta explicar o mal-estar com o nível muito elevado do hormônio da gravidez durante o primeiro trimestre da gestação. Uma terceira teoria relaciona o problema ao estiramento rápido das fibras musculares do útero, o relaxamento do tecido muscular no trato digestivo e o excesso de ácido no estômago, causado pela falta de alimentação ou pela ingestão de alimentos errados. Mas as ânsias também podem ter fundo emocional. “Em algumas sociedades primitivas, menos estressantes, as mulheres não apresentam vômitos durante a gravidez”, afirma o ginecologista. Segundo ele, as gestantes muito suscetíveis costumam melhorar com a hospitalização, quando ficam longe dos problemas cotidianos. José Bento de Souza explica que as náuseas e vômitos são mais freqüentes em mulheres que engravidam pela primeira vez, gestações não planejadas ou de gêmeos. Inexplicavelmente, os sintomas desaparecem por completo no terceiro mês da gestação.

domingo, 4 de maio de 2008

COMO DEFINIR A PRESENÇA DO OLHAR FEMININO NAS ARTES

O filme Vinho de rosas, de Elza Cataldo, é protagonizado por uma personagem feminina e dirigido por uma mulher. É o suficiente para definir um olhar feminino sobre a história? A obra pode ser considerada "feminina"? Nos últimos anos, no Brasil e no mundo, têm sido realizadas mostras de cinema – II Festival Internacional de Cinema Feminino (Femina), realizado em julho, e o I Festival de Cinema Feminino da Chapada dos Guimarães (Tudo sobre mulheres) – com esse foco. Exposições de artes visuais, debates, seminários e conferências também debatem a existência de um olhar feminino nas artes, como uma expressão artística diferenciada da masculina. O tema é controverso. Maria Tortajada, do Departamento de História e Estética do Cinema da Faculdade de Letras da Universidade de Lausanne, Suíça, questiona a concepção que se tem de estética feminina. "Estética das mulheres, atribuída às mulheres, ou construída por mulheres?". Para ela, o conceito é difícil de caracterizar ou isolar.

"Não há necessariamente uma distinção estética entre as produções artísticas de mulheres e homens", afirma Luciana Grupelli Loponte, doutora em arte, gênero e educação do Departamento de Educação da Universidade de Santa Cruz do Sul. No lugar de uma sensibilidade inerente, haveria um conjunto de experiências vividas pelas mulheres que podem – ou não – aparecer em suas obras. Luciana assinala que os nus femininos aparecem, por exemplo, nas obras de Camille Claudel (1864-1943) e Susanne Valadon (1867-1938), de uma maneira muito diferente daquela como o olhar forjado num regime de visualidade masculino está habituado a ver. Mas não manifestam o feminino obrigatoriamente. Susanne, em especial, era considerada pelos críticos como "a mais viril de todas as mulheres pintoras" e não endereçava a um suposto olhar controlador masculino suas representações de corpos femininos, que destacam gestos nada garbosos de mulheres comuns.

Para Luciana, uma questão importante é a visibilidade das obras, relegadas a um segundo plano pelo discurso oficial sobre a arte, pelo menos até meados do século XX. Ela especula se obras como o Almoço na relva, Les demoiselles d’Avignon e O beijo, para citar algumas, seriam tão famosas se os autores, ao invés de homens – respectivamente Manet, Picasso e Rodin, fossem mulheres.

NA PSICANÁLISE Para Márcia Arán, psicanalista do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a forma tradicional como a psicanálise aborda a diferença sexual é herdeira do modelo construído nos séculos XVIII e XIX. Fundamental para o desenvolvimento das noções de simbólico e de subjetividade, é também uma versão masculina da diferença, cuja lógica gira em torno da questão de ter ou não falo. Usando o termo versão, Márcia chama atenção para um caráter importante do "feminino" definido como tal: trata-se de uma construção social. Nela, uma divisão fundamental, segundo Pierre Bourdieu (A dominação masculina), identifica o feminino ao passivo e coloca o homem no papel do que cria, organiza, expressa e dirige o desejo. Meninos se tornam viris, não nascem assim. São educados para tal e sofrem cobranças e pressões nesse sentido. Do mesmo modo, diz Simone de Beauvoir em O segundo sexo, não se nasce mulher: torna-se mulher.

NO CINEMA Novas expressões do feminino na cultura se tornaram possíveis, como também uma subversão no pensamento binário da diferença. Para Márcia Arán, efeitos dessa mudança podem ser observados em alguns filmes: Desde que Otar partiu, de Julie Bertucelli; Questão de imagem, de Agnès Jaoui; Coisas que você pode dizer só de olhar para elas, de Rodrigo Garcia. Neste filme, protagonizado por mulheres, solidão, angústia, ansiedade, desejos reprimidos e solidariedade se manifestam em pequenas histórias que se entrecruzam. O diretor é homem, mas a temática, claramente, é feminina, como também se dá com As horas, dirigido por Michael Cunningham, que tem como uma das personagens a escritora Virgínia Wolf.

NA LITERATURA A hora da estrela, filme dirigido por Suzana Amaral a partir do livro homônimo de Clarice Lispector, costuma ser citado como exemplo do feminino no cinema e na literatura. Haveria, então, uma pulsação peculiar nos textos de Clarice ou de Virgínia Wolf, Adélia Prado, Lygia Fagundes Telles? "Ou: o que uma certa ‘experiência coletiva’ do íntimo, do privado, do doméstico teria produzido na escrita de mulheres?", indaga Loponte. Para Lélia Almeida, escritora e especialista em literatura hispano-americana da Universidade de Santa Cruz do Sul, há temas que se fazem mais ou menos femininos, mais ou menos feministas. Romances, contos, dramas teatrais, folhetins que tratam do aborto, da opção por ter ou não filhos, da sexualidade da mulher. E há tentativas, por parte de escritoras contemporâneas, de estabelecer uma tradição literária, inserindo suas produções em "linhagens" que remontam a escritoras consagradas.

Procurar por uma "essência" feminina nas escritas ou uma suposta delicadeza e sensibilidade feminina em contraposição a uma racionalidade e objetividade masculinas faz cair num binarismo dicotômico perigoso, adverte Luciana Loponte. "Se seguíssemos essa busca, o que explicaria a autoria feminina de Mary Shelley do primeiro romance de horror de que se tem notícia, o famoso Frankenstein, de 1817?", questiona.

Yara Frateschi e Berta Waldman, do Departamento de Teoria Literária da Universidade Estadual de Campinas, afirmam ter dificuldade em precisar o que seria uma escrita feminina. "Notamos, porém, que, em geral, quando se usa essa expressão, ela aplica-se a uma mistura entre tema, ambiência feminina, comportamento feminino etc., justamente porque essa modalidade da escrita não está definida", afirmam. Segundo elas, caso a definição de uma escrita feminina requeira marcas discursivas como léxico ou sintaxe que seriam próprios das mulheres, ou usadas preferencialmente por elas, essas marcas, se existem, não foram até o momento detectadas nem estudadas.

AUTORIA Caso o critério recaia sobre a autoria, ele a princípio é falho. Afinal, como o compositor Chico Buarque em diversas canções, o autor de uma história pode ser homem e adotar um ponto de vista feminino. "É o que ocorre, por exemplo, nos romances de Manuel Puig; em Nelson Rodrigues, que assina Susana Flag em vários romances folhetins; em Menina e moça", de Bernardim Ribeiro; nas ‘cantigas de amigo’, compostas por trovadores da Idade Média, com o ponto de vista da mulher. Dessa perspectiva, poderíamos dizer que ‘escrita feminina’ é aquela cujo ponto de vista ‘pretende’ corresponder ao ponto de vista feminino – independentemente do fato de o autor ser um homem ou uma mulher", concluem as pesquisadoras da Unicamp.

Circuncisão feminina - O que devemos pensar?

pela Dra Halimatou Bourdanne.

A circuncisão feminina é um ritual comum praticado em certos países africanos, especialmente na Costa do Marfim, onde vivo. É realizado por certos grupos étnicos e consiste em remover uma parte maior ou menor dos lábios – as dobras macias de pele ao redor da vagina – e o clítoris da mulher ou de uma menina. O clítoris corresponde ao pênis do homem.

Há quatro tipos de circuncisão feminina:

Primeiro grau – remoção da parte superior do clítoris – isto é semelhante à circuncisão masculina.

Segundo grau – remoção completa do clítoris e de parte dos pequenos lábios.

Terceiro grau – remoção completa do clítoris e dos pequenos e grandes lábios.

Quarto grau ou infibulação – isto consiste em suturar os dois lados da vulva após a remoção do clítoris e dos pequenos e grandes lábios. É deixado um orifício pequeno para a menstruação.

A partir do segundo grau, estamos falando em mutilação. Problemas graves de saúde podem ser causados pela excisão, especialmente durante o parto.

A idade da circuncisão varia de acordo com o grupo étnico. Pode ser desde os sete dias de idade até quando se dá à luz pela primeira vez. Geralmente são as mulheres mais velhas que se encarregam deste ritual. Usam objetos afiados como facas, lâminas de barbear ou certas plantas.

As razões para a circuncisão

Muitas razões são dadas. No entanto, o objetivo principal é manter a mulher em submissão ao homem. A circuncisão impede a mulher de desfrutar do sexo na sua totalidade e sendo assim, as mulheres têm uma vida sexual de completa resignação. São mais dóceis porque sentem menos prazer. Algumas pessoas dizem que as mulheres que não foram circuncidadas não podem conceber.

No caso da infibulação, é para garantir a fidelidade da mulher. Na verdade, cada vez que o marido sai em viagem ele realiza a infibulação e no seu retorno ele ‘rasga’ os pontos.

As complicações

Imediatas…

  • sangramento grave, às vezes resultando em morte
  • ferimentos causados a órgãos vizinhos como a uretra e reto
  • infecção devido à falta de higiene, sendo a mais séria o tétano.

Posteriores…

  • dores severas durante as relações sexuais
  • problemas sexuais, pois a mulher não sente desejo nem prazer
  • infecções vaginais repetidas
  • fístulas.

Riscos durante o parto

Nas mulheres circuncidadas, geralmente somos forçados a fazer cortes grandes – episiotomias – durante o parto pois a abertura da vagina é tão reduzida em tamanho. Corre-se assim o risco de lesar o reto ou a uretra.

Um caso muito trágico que ocorreu durante o meu trabalho afetou-me bastante. Um dia uma jovem de 18 anos chegou aqui nos primeiros estágios do parto. Era a sua primeira gravidez. Ao examiná-la descobrimos que ela tinha uma circuncisão de segundo grau. Achamos que seria possível um parto normal pois o bebê era pequeno em tamanho. No entanto, quando o parto começou a demorar muito mais do que o normal, concluímos que havia um problema. Por não ter havido nenhum progresso, decidimos que havia necessidade de uma cesariana. Infelizmente, enquanto esperavamos pelo equipamento cirúrgico – pelo qual se tem de pagar – o bebê morreu.

A circuncisão tinha tornado a pele tão fina e rígida que o parto se tornou impossível. Ao remover o bebê morto, a vagina da mãe estava totalmente destruida e tivemos que suturá-la. Nos dias posteriores ao parto, a mãe teve perda de urina, o que nos fez temer o aparecimento posterior de uma fístula.

Nossa resposta

Como devemos reagir quando nos deparamos com esta prática? A circuncisão feminina é um problema importante e muito mais profundo do que se imagina. Qualquer pessoa que tente atacar este problema é confrontada com vários obstáculos – o maior dos quais é o silêncio das mulheres afetadas.

A circuncisão representa um assunto polêmico, assim como qualquer outra coisa relacionada com a sexualidade. É muito raro uma mulher consultar um médico sobre um problema ligado à sua circuncisão. Foram as mulheres intelectuais islâmicas que começaram a levantar o véu sobre esta prática.

Outro problema que encontramos é que as mulheres não educadas nem sempre concordam que a circuncisão feminina deve ser proibida. De fato, elas querem frequentemente que as suas filhas sejam circuncidadas. Estão convencidas de que este ato é benéfico, apesar dos perigos que correm.

Um terceiro problema é a nossa ignorância sobre os grupos étnicos envolvidos. Qualquer ação eficaz deve ser realizada com grande sensibilidade. Isto significa um trabalho longo e difícil para se compreenderem as suas crenças.

Como cristãos, podemos tornar nossas irmãs conscientes dos efeitos e riscos de saúde ligados a esta prática. Sabemos que a sexualidade para o casal cristão é um presente de Deus para seu prazer. Com as nossas irmãs não crentes, podemos apenas levantar estas questões mais tarde, quando tivermos ganhado sua confiança.

Se o número de mulheres educadas aumentar, é certo que esta prática entrará em declínio. A luta contra a circuncisão feminina é certamente algo a longo prazo mas que vale a pena. É apenas então que certas mulheres conhecerão a felicidade que um casal experimenta em sua intimidade e de estarem livres dos riscos para a sua própria saúde e de seus bebês.

A Dra Halimatou Bourdanne é médica. O seu endereço é 22 BP, Abidjan 22, Costa do Marfim, África Ocidental.

A difícil decisão de Howa

Na áfrica ocidental, há um grupo étnico que sempre praticou a circuncisão em 100% das suas moças. Este grupo étnico pratica um tipo de excisão que remove o clítoris e os dois pequenos lábios. Esta prática continua apesar de medidas governamentais para erradicá-la. Hoje em dia, é a influência da igreja local que está a começar a desafiar esta prática.

O que segue é uma história de uma jovem que se atreveu a resistir a esta prática. Para evitar que seus problemas aumentem, mudamos não apenas o nome dela mas também o nome do seu país e o nome da sua amiga que escreveu este artigo.

Alguns anos atrás, Howa retornou de um país vizinho à região onde mora. Naquela época, estava na idade de ser circuncidada mas ainda não estava noiva. De acordo com a tradição, uma moça deve ser circuncidada antes da chegada de seu primeiro bebê, caso contrário, a saúde da criança estará em risco se o clítoris tocar o bebê durante o parto.

Normalmente é a moça que decide e pede para ser circuncidada. Ela vai ao seu pai ou esposo que deve então entrar em acordo com as mulheres mais velhas responsáveis por realizarem as circuncisões. Alguns anos atrás, alguns membros deste grupo étnico tornaram-se cristãos. A questão das circuncisões foi discutida e, tal como o governo, a igreja assumiu uma posição contra esta prática. Em anos recentes, moças jovens cristãs tentaram opôr-se à circuncisão feminina mas uma após a outra foram finalmente derrotadas. As pressões sociais são muito fortes.

Howa é a única até hoje que manteve este propósito. O que ela sofreu devido à sua decisão é difícil de imaginar por nós que estamos acostumados aos nossos ‘direitos humanos’.

Mas voltando à história… Quando os parentes de sua mãe perceberam que Howa não tinha nenhuma intenção de ser circuncidada, seu tio a prometeu em casamento a um homem não cristão, contra a vontade dela. Ele pensava que, uma vez casada, a circuncisão de Howa seria mais que certa porque o seu marido teria o poder de influenciá-la. No entanto, Howa tinha suas próprias idéias sobre o casamento. Ela também percebeu que esta era uma armadilha e fugiu para se esconder na casa de uns cristãos que a protegiam.

Tudo isto levou a muitas perseguições. Ela apanhou tareia mais de uma vez. Finalmente encontrou ajuda e proteção do governo. Com a ajuda das autoridades locais, foi-lhe permitido voltar para sua aldeia mas ela preferiu permanecer próximo dos cristãos.

Um ano mais tarde, casou-se com um jovem da igreja. Oito meses depois Howa recebeu a visita de sua mãe. Howa estava grávida nesta época. A sua mãe não podia acreditar que Howa tinha se casado com um cristão e estivesse prestes a ter um bebê sem ser circuncidada antes. Aquilo nunca tinha sido feito no passado e a mãe não queria que a sua filha fosse a primeira a estragar a tradição! Toda a família da parte da mãe ficaria envergonhada.

Howa resistiu à sua mãe em todas as suas tentativas de fazê-la voltar à aldeia de seus pais. Ela tinha receio quanto à sua segurança pessoal – de apanhar tareia – e também da forte pressão de seus pais – insultos, maldições, etc. Durante as semanas antes do parto, a pressão cresceu. A sua mãe levou o problema ao chefe da aldeia para ele o julgar. Howa e seu marido foram chamados para uma reunião com o chefe da aldeia, a mãe e muitas das pessoas idosas. O marido de Howa foi acusado de roubar a sua esposa porque ele não tinha recebido a permissão ou a benção da família da mãe.

A mãe de Howa suplicou e chorou diante do chefe da aldeia, pedindo-lhe que a ajudasse a forçar Howa a ser circuncidada. O chefe da aldeia no entanto não podia fazer nada pela mãe, por causa da lei da região, que ele conhecia muito bem. Ele aconselhou a mãe a não forçar a sua filha mas, se necessário, amaldiçoá – e de fato, deserdá-la. A mãe seguiu o seu conselho e em frente das outras pessoas, ela disse a Howa que se arrependia do dia em que a trouxe ao mundo.

Posteriormente, Howa deu à luz um menino bonito. Toda a comunidade cristã se regozijou. No entanto, soube-se que as pessoas que estavam contra o jovem casal tinham pedido aos talismãs – objetos especiais que acreditam que tenham poderes mágicos – pela vida de Howa, seu marido ou do bebê.

Os parentes de Howa por parte da mãe contactaram depois a família do marido de Howa. Ambos os grupos familiares atuaram juntos contra o jovem casal. Foilhes muito difícil para viverem normalmente. Eram frequentemente ameaçados e insultados. Mais de uma vez, os pais vieram para raptar Howa, mas não tiveram sucesso. Os vizinhos cristãos apoiaram Howa e seu marido, e a Polícia e o governo local vinham para dar proteção, quando solicitada.

As autoridades viram esta tarefa como uma maneira de trazer paz entre os dois grupos. Como o casamento de Howa era oficial e reconhecido pelo Estado, em princípio o governo estava do lado do jovem casal. Os parentes por parte da mãe insistiram que o casamento não era mais válido e exigiram o divórcio e retorno de sua filha. E então, enquanto tudo isto estava a acontecer, o bebê de Howa morreu após uma doença que durou dois dias!

A história ainda continua nos dias de hoje. No momento, Howa voltou para a casa de seu pai para mostrar que ela não tinha sido roubada mas que decidiu casar com o jovem cristão. Ela ainda não foi circuncidada. Mas uma de suas amigas cristãs foi circuncidada há três dias…

Notas para discussão …

  • Alguns dos nossos leitores podem talvez dizer a si mesmos, ‘Eu realmente não compreendo como esta pressão pode levar uma moça a pedir para ser circuncidada’ mas em África, as pressões do grupo são muito fortes – o grupo é mais importante do que o indivíduo. Num caso como o de Howa, ela quer fazer algo que o grupo não aceita e o grupo fará o que puder para forçá-la a aceitar aquilo em que acreditam. Que tipo de influências podem alterar as crenças de grupos no caso de questões vitais como a circuncisão feminina?
  • A circuncisão é vista frequentemente como uma prova de que a mulher é corajosa. Ela pode também ser vista como uma questão de orgulho. As mulheres não gostam de ser consideradas fracas. Elas querem o respeito das pessoas. Insultos e outras pressões podem levar uma moça a ter uma circuncisão. Como podem mulheres como Howa ser apoiadas durante este tipo de pressão contínua?
  • As pessoas idosas acreditam que, após a excisão, uma moça se torna dócil e permanecerá fiel a seu marido. Que tipo de respostas podemos dar em relação a esta crença?
  • As mulheres idosas que realizam circuncisões pensam que são modernas pois substituíram a faca tradicional e usam agora uma lâmina nova em cada operação. Estas mulheres idosas geralmente são vitais para manter costumes como as circuncisões femininas. Pode pensar em maneiras úteis pelas quais elas podem ser incentivadas a considerar outros pontos de vista?
  • Algumas pessoas dizem que os homens incentivam as circuncisões femininas como uma maneira de exercer poder e controle sobre as mulheres. O que podem os homens fazer para incentivar discussões sobre estas questões?

Grande matéria sobre cultura feminina

Ouso dizer que às vezes você se espanta com minha maneira independente de andar pelo mundo como se a natureza me tivesse feito de seu sexo, e não do da pobre Eva. Acredite em mim, querido amigo, a mente não tem sexo, a não ser aquele que o hábito e a educação lhe dão.

Frances Wright, feminista inglesa, em 1822 (Gay, 1995:306)

Em um conto intitulado "Jornal de uma feminista", publicado num livro bastante raro, intitulado Almas complexas, a escritora gaúcha Carmen Dolores (1934) delineia uma imagem triste e patética da feminista. Refere-se a uma professora que vive no limite de suas possibilidades financeiras, ao lado da mãe viúva e dos irmãos pequenos e que, certo dia, se vê absolutamente sem recursos para enfrentar o cotidiano. Sentada diante do espelho, enquanto conversa consigo mesma, mal consegue suportar a própria imagem refletida. Sente-se um absoluto fracasso: os seus esforços de melhoria vão sempre por água abaixo; suas lutas são sempre inglórias. Pensa desolada: "Fito os olhos no vidro sarapintado pelas falhas do aço, fui-me sentindo pouco a pouco penetrada de uma piedade intensa e dolorosa, que me provocava a figura refletida nesse velho cristal; fiquei a olhá-la, como se não a conhecesse, assim, magra e abatida, com esse chapéu usado, essa jaquette surrada, correndo tão cedo à caça do pão - e de súbito um véu se interpôs entre mim e a face murcha que eu contemplava, e esse véu era feito de lágrimas...

Lágrimas! Mas por ventura chora uma feminista? Quando muito faz rir, quando passa pelas ruas a passo dobrado, consultando as horas como um homem, sem sorrir, porque já não tem sorriso sem faceirice, porque a fealdade das roupas lha veda, e sem o aprumo que devia dar-lhe o sentimento da sua coragem e da sua dignidade, por que sabe que estas coisas só merecem do vulgo o escárneo..." (Dolores, 1934:123).1

Embora construída por uma escritora bastante engajada nas questões da mulher, logo após a conquista do direito de voto feminino, esta imagem reforça o estereótipo socialmente difundido da feminista como uma figura dessexualizada, amargurada e sem perspectivas e, ao mesmo tempo, contrasta com as representações veiculadas pelas revistas feministas do período, ou com as informações referentes à vida cotidiana das escritoras, articulistas e ativistas políticas dos meios ricos e pobres, que se colocavam em luta pela independência de seu gênero, desde meados do século XIX, no Brasil.

Foi esta, pois, a imagem da feminista que predominou na memória social sobre outras possíveis e, ainda hoje, as que lutam pela autonomia das mulheres continuam sendo desqualificadas por um estereótipo que vem de longa data, não apenas dos anos 70, definindo-as como machas, feias e mal-amadas. Do modernista Oswald de Andrade que ridiculariza as sufragettes inglesas como figuras que o assustavam profundamente, nos anos 20, aos "rapazes" de esquerda do Pasquim, nos anos 70, investindo com unhas e dentes contra a estética de Betty Friedan, as feministas foram percebidas como mulheres feias, infelizes, sexualmente rejeitadas pelos homens e, convenhamos, não é muito raro ouvirmos outras mulheres reafirmando estes estigmas ainda hoje.2

Deve-se perguntar, então, a que vem a perpetuação desse estigma sobre mulheres que lutam e lutaram por outras mulheres, que se empenham pela melhoria da condição feminina, que dão visibilidade a questões radicalmente novas, que propõem outras alternativas para o pensamento e que, sem dúvida alguma, ajudam a construir um mundo novo e muito mais saudável também para os homens? E mais, o que a utilização desse estigma nos informa sobre o lugar do feminino em nossa cultura e sobre a relação que se mantém com o diferente? A reflexão sobre essas questões nos ajuda a perceber como a sociedade reage ante a idéia de que as mulheres passem a se pensar com autonomia, como podendo figurar por conta própria na História, recusando-se a girar, como auxiliares ou sombras, em torno dos homens.

A persistente associação da feminista com o lesbianismo, a histeria, o "furor uterino", a incapacidade de ser amada por um homem, repondo-se todas as misóginas concepções vitorianas sobre a sexualidade feminina, marcam profundamente a referência pela qual se lida com o fenômeno, ainda hoje. Essa questão adquire maior importância quando levamos em conta que o feminismo colocou como uma de suas principais bandeiras as "políticas do corpo", o direito ao próprio corpo, a reivindicação do prazer sexual para as mulheres e que, aliás, progrediu nessa direção.

As críticas às misóginas leituras médicas do corpo feminino, que dessexualizaram e patologizaram cientificamente o corpo da mulher, foram manifestadas, embora por uma minoria, desde o século passado, ou seja, desde o momento mesmo em que estavam sendo formuladas e divulgadas. A redescoberta do clitóris, no final dos anos 60, foi inegavelmente uma conquista feminista, posteriormente apropriada por revistas femininas de grande circulação no mercado, a exemplo da Nova, lançada em 1972, pela Editora Abril Cultural, ou a Veja, que dá visibilidade ao tema, em sua edição de maio de 2001.

Hoje, as feministas colocam como uma das mais importantes bandeiras de luta a questão dos direitos reprodutivos, aí incluindo-se temas como maternidade, aborto, violência doméstica e saúde integral da mulher. Por que, então, as feministas têm sido historicamente dessexualizadas, se na prática têm reivindicado uma maior sexualização ou, em outros termos, o direito à própria sexualidade?

Trata-se, sem dúvida, de uma disputa pelo controle do que significa ser mulher, mulheres e homens propondo interpretações historicamente muito diferentes e opostas. É óbvio que uma das questões centrais do feminismo, antes e agora, tem sido a de propor a construção de identidades femininas sob outras bases e parâmetros conceituais. Uma recusa, portanto, das formas de sujeição impostas pelo olhar masculino, pela ciência, pela moral e pela cultura masculinas, principalmente nas últimas décadas em que cresce a luta mais pela "desidentificação", ou pela possibilidade de construção de múltiplas subjetividades pessoais, grupais, sexuais.3

É de se perguntar, portanto, a que vêm essas construções misóginas e por que foram e são amplamente aceitas? Como se explica que as feministas, que lutaram pela redescoberta da sexualidade feminina, fossem tachadas de dessexualizadas ou, no limite, de lésbicas? Será que essas imagens se ancoravam em amplas constatações empíricas, isto é, eram todas as feministas virgens solteironas ou homossexuais? E, afinal, por que até mesmo as mulheres, nem todas evidentemente, mas sobretudo as das gerações mais jovens não reconhecem o muito do que hoje se conquistou, as enormes possibilidades econômicas, sociais, sexuais e políticas abertas às mulheres, especialmente nas últimas três décadas, desde os direitos civis à revalorização do corpo e à autonomia sexual, como um resultado das pressões e lutas colocadas historicamente pelo feminismo?

Como historiadora feminista, inquieta-me a maneira pela qual determinadas dimensões do passado são totalmente esquecidas, tão logo seus questionamentos tenham sido debatidos, avaliados e incorporados. Isso acontece com alguns pensadores, que, de repente, somem do cenário intelectual e político, enquanto suas idéias, que num momento preciso relampejaram fulminantes, "sacudindo as evidências", como diz Michel Foucault, autonomizam-se e passam a ser repetidas localmente, como se nascidas naquele preciso instante ou, então, como se estivessem sempre existido lá. Um fenômeno de autonomização das idéias, em que memória e história se descolam, em que presente e passado se desconectam e se descontextualizam, em que se borram, ou mesmo se perdem os movimentos de origem e as condições de possibilidade de determinados acontecimentos.

Esse processo de eliminação da historicidade dos fenômenos, ou de naturalização pode ser claramente percebido na relação estabelecida com vários movimentos sociais, entre o feminista, o hippie e o anarquista, entre outros, é claro. Como se se operasse um profundo corte entre gerações imediatamente sucessivas, o que é proposto de maneira impactante e conflituosa por uma, é vivido pelas seguintes com naturalidade, como ordem natural do mundo, esquecendo-se a dimensão da luta realizada para sua conquista e tachando-se o movimento originário de "derrotado".

Nem se está referindo, nessa direção, aos mecanismos já tão discutidos de apropriação e neutralização das reivindicações trabalhistas dos operários das primeiras décadas do século XX pelo governo Vargas, construído como o grande "pai dos pobres", após a destruição desses mesmos movimentos sociais. Penso mais especificamente nas profundas críticas ao movimento hippie dos anos 60/70, visto como "alienado" pela esquerda marxista, radicalmente condenado por ter sido absorvido pelo "sistema". Não se observa, por conseguinte, o quanto a sociedade ganhou e cresceu ao incorporar vários valores, concepções, atitudes e práticas anticapitalistas, libertários e dionisíacos, pregados por aqueles. O mesmo poderia ser dito em relação ao anarquismo, visto sempre como o "grande derrotado da História", por não haver proposto o partido político, como se afinal os que o propuseram tivessem tido melhor sorte, ou como se a sociedade hoje não fosse muito mais libertária, especialmente no sentido de questionar mais sofisticadamente os macro e micropoderes, as relações de saber-poder, assim como os modos de sujeição, inclusive aqueles impostos pelas organizações partidárias.

Parte-se, evidentemente, do suposto que apesar dos enormes retrocessos e das profundas intolerâncias que atravessam nossos tempos, vivemos também um mundo muito mais libertário e feminista, questionado ininterruptamente em todos os seus movimentos, seguramente há mais de 30 anos.

Em relação ao movimento feminista, não é raro ser considerado atualmente como "coisa do passado" por muitos que se consideram aliviados por seu final, apesar das grandes conquistas femininas em curso e da enorme visibilidade - radiante e colorida -, é bom dizer, das mulheres em quase todas as profissões, na vida social, nas instituições, nos sindicatos, nas ruas, praças e nos bares da cidade. Ninguém duvida de que o mundo se tornou mais feminino e feminista, no Ocidente, entendendo no primeiro caso maior aceitação e reconhecimento da "cultura feminina", de um "saber-fazer" específico das mulheres, mesmo que culturalmente determinado e não resultante de diferenças biológicas; e no segundo caso, referência à luta pelo direito à vida em igualdade de condições para os dois sexos. Aceita-se, em geral, que as mulheres obtiveram inúmeros espaços sociais antes inexistentes ou proibidos para elas, que conquistaram muitos cargos importantes, que provocaram muitas mudanças nas relações de gênero, mudanças que, por sua vez, afetaram a própria maneira de ser homem e de pensar. Contudo, poucas vezes o feminismo é invocado como sendo o produtor principal das mudanças positivas.

Essas constatações têm levado a se tentar entender por que à entrada maciça das mulheres na esfera pública, sobretudo nos últimos 30 anos, à decorrente "feminização da cultura", isto é, à incorporação crescente de valores, idéias, formas, concepções especificamente femininos pelo mundo masculino, não correspondeu uma crescente valorização do feminismo, tanto quanto uma incisiva adesão a ele, seja se for considerado um conjunto de idéias que reivindicam os direitos da mulher, seja como referência às práticas e lutas que eclodiram e têm eclodido na sociedade.

Seria oportuno também refletir, mesmo que brevemente, sobre o tema da "feminização da cultura", questionando os motivos pelos quais freqüentemente suscita uma série de objeções, pois não há consenso de que realmente existiu e existe. É de se perguntar, então, se ainda há dúvidas sobre a transformação cultural provocada pela maior inserção das mulheres no mundo contemporâneo. E se ainda há quem pense que as mulheres se tornaram "homens" ao entrar no espaço masculino, esquecendo e abandonando tudo aquilo que caracterizava sua condição de gênero. É possível não perceber a "feminização cultural" contemporânea, isto é, a maneira pela qual temas, valores, questões, atitudes, comportamentos femininos foram incorporados na modernidade? Por que, enfim, esse fenômeno não é percebido como um resultado extremamente positivo das pressões históricas do feminismo, num mundo em que todos reconhecem a falência dos modos cêntricos - falo-euro-etnocêntricos - de agir e pensar?

Não se pretende responder a todas essas questões, mas é importante enunciá-las e denunciar os mecanismos sutis de desqualificação e de humilhação social que operam em nossa cultura, em relação às mulheres e à cultura feminina. Justamente por serem sofisticadas e imperceptíveis a um primeiro olhar, essas estratégias de aniquilamento ou de neutralização das conquistas sexuais e de destruição dos movimentos e das atitudes contestadoras da ordem masculina estabelecida devem ser evidenciadas e enunciadas a cada instante.

O MEDO DO FEMININO E A REAÇÃO MISÓGINA

Deve-se descartar a primeira resposta, já bem conhecida, "À falocracia, as mulheres propõem a vaginocracia!", e perguntar pelo grande medo do feminino na cultura ocidental, medo este historicizado por intelectuais do porte de Jean Delumeau, Mario Praz e Mireille Dottin-Orsini (1994; 1996; 1996). A punição das feiticeiras pela Inquisição desde a Idade Média, a expropriação do saber das parteiras, desde o século XIX, pela medicina masculina, o alarde em torno da figura da "mulher fatal" destruidora da civilização no século XIX, como Salomé, ou na representação de Marlene Dietrich, no filme O anjo azul, de 1930, concomitante à valorização da "rainha do lar", a perseguição policial das prostitutas e não dos clientes são temas já bem explorados. Falemos, então, das reações ao feminismo, por aí entendendo também o medo provocado pela idéia da liberdade feminina.4

Esse movimento, ao lado da crescente entrada das mulheres no mundo público, questionou categorias de significação e explicação sociais amplamente aceitas, mostrando sua dimensão falocêntrica, e provocou uma profunda desestabilização das referências sexuais e culturais ao longo do século XX, em várias partes do mundo. Nas quatro últimas décadas, forçou a incorporação das reivindicações colocadas na agenda pública e obrigou a sociedade a perceber e discutir a "questão feminina". Desestabilizou as tradicionais definições das identidades de gênero - que destinavam rigidamente o espaço público para os homens e o privado para as mulheres -, revelando a hierarquização, as relações de poder e a misoginia nelas contida. Assim, se de um lado abriu novas perspectivas para um amplo setor da humanidade, de outro suscitou profundas angústias e medos em outros setores sociais.

Múltiplas reações se fizeram sentir aos avanços femininos e às conquistas feministas, destacando-se a emergência dos debates sobre a divisão dos papéis sexuais, a preocupação com a definição dos códigos da feminilidade e masculinidade, os direitos e deveres das mulheres, o casamento e o adultério, o controle da prostituição, o perigo da homossexualidade e o próprio feminismo, ao longo do século passado. O clima foi descrito por Elaine Showalter (1994) como sendo de "anarquia sexual". Ante a liberalização dos costumes, a diversificação da vida social e cultural, a emergência de novas práticas de lazer e de novos espaços de sociabilidade, como os bares, restaurantes, cafés-concertos, teatros, cinemas, onde mulheres e homens passavam a desfrutar de um convívio mais intenso, desde o início do século XX, inúmeras vozes levantaram-se amedrontadas, apontando para a "dissolução dos costumes" e para o que supunham ser uma forma de desagregação social. Os debates sobre a definição das esferas sexuais, a ameaça de perda de virilidade da civilização, o avanço dos valores femininos na cultura acirraram as controvérsias entre os teóricos da Modernidade, desde meados do século XIX.

Na belle époque vienense, por exemplo, ao lado de Wagner e Nietszche, Johann Jakob Bachofen, teórico de grande penetração no Brasil e no mundo, autor de O matriarcado. Pesquisas acerca da ginecocracia de natureza reliogiosa e jurídica no mundo antigo, publicado em 1861, atacava radicalmente a feminização da cultura em curso e o "crepúsculo do patriarcado" (apud Le Rider, 1992). Denunciava o amolecimento da raça, a degringolação moral, a degenerescência racial, o retorno à cultura dionisíaca, visando valorizar o patriarcado como "a realização dos valores espirituais trazidos pelo cristianismo." Segundo ele, "O progresso da sensualidade corresponde em toda parte à dissolução das organizações políticas e à decadência da vida pública. No lugar da rica diversidade, impõe-se a lei da democracia, da massa indistinta e essa liberdade, essa igualdade, que distinguem a vida de acordo com a natureza da sociedade civil organizada e que se ligam à parte corporal e material da natureza humana." (apud Le Rider, 1992:179).

Otto Weininger, por sua vez, construiu uma teoria da bissexualização da cultura, movimento que caracterizaria os novecentos como decadência estética e moral.

"A extensão que de alguns anos para cá foi assumida tanto pelo dandismo quanto pelo homossexualismo não podem-se explicar senão por uma feminização geral. Não é sem motivo profundo que o gosto estético e sexual deste início de século busca seus modelos na arte dos pré-rafaelitas." (apud Le Rider, 1992:176).

Adolf Loos, em artigo sobre a "Moda Feminina", publicado em 1902, procurava explicar porque a mulher tinha mais necessidade de roupas do que o homem, nos seguintes termos:

"Mas, a mulher nua é desprovida de charme para o homem. (...) Este é o motivo que obriga a solicitar a sensualidade do homem através de sua vestimenta, de excitar nele uma sensualidade doentia que resulta unicamente do espírito da época. (...) A roupa da mulher se distingue exteriormente pelos ornamentos e as cores. A mulher se atrasou em relação à evolução da indumentária. No passado, o homem também usava vestimentas ricamente ornadas. A evolução magnífica que nossa cultura conheceu durante este século teve o feliz efeito de ultrapassar o ornamento. Quanto mais baixo é o nível de uma cultura, mais o ornamento se manifesta nele com força." (apud Le Rider, 1992:12).

Esses autores, cujos livros se encontram com relativa facilidade nas bibliotecas públicas brasileiras, tiveram uma ressonância bastante grande entre nossos pensadores e governantes, que buscavam nas fontes européias respostas para os problemas do país. Menos conhecidos entre nós foram aqueles que apresentaram questionamentos e respostas alternativas às questões de gênero, a exemplo da feminista Rosa Mayreder, ou do filósofo Georg Simmel, traduzido para o português apenas na década de 90.

Em seu ensaio de 1905, intitulado Crítica da feminilidade, Mayreder trazia uma nova interpretação sobre as razões da emergência do feminismo. Constatava uma profunda crise da identidade masculina na modernidade e o abandono por parte dos "guerreiros" dos espaços e modelos que tradicionalmente ocupavam. Isso sim estaria levando e até mesmo exigindo maior presença das mulheres na vida pública e social, considerava ela. A emergência do feminismo seria, então, explicada menos como uma luta das mulheres pela liberdade, buscando destronar os homens, do que como resultado da feminização e de um certo refinamento da cultura, que fizera com que a forma masculina de vida se aproximasse da forma de vida das mulheres. Essas, aliás, passavam a ocupar os postos outrora dominados pelos homens, por uma necessidade vital e social, uma vez que eles haviam desertado de seus postos.

"Já que os homens se tornaram mulheres, as mulheres não têm outra escolha senão ocupar o terreno por eles desertado.", afirmava ela (apud Le Rider, 1992:265).

Georg Simmel, por sua vez, em um artigo de 1902, apresentava uma posição menos polarizada e indagava sobre a possível contribuição das mulheres ao participarem de um mundo construído objetiva e racionalmente, segundo a visada masculina. Com um olhar profundamente perspicaz, analisava: "...essa cultura, que é a nossa, se revela inteiramente masculina, com exceção de raros domínios. A indústria e a arte, o comércio e a ciência, a administração civil e a religião foram criação do homem, e não só apresentam um caráter objetivamente masculino, como, ademais, requerem, para a sua efetuação repetida sem cessar, forças especificamente masculinas" (Simmel, 1993:74).

Participando mais intensamente do mundo masculino, as mulheres trariam uma colaboração muito enriquecedora, em função de sua formação e experiência singulares, desconhecidas dos homens, desde que aceitas e reconhecidas. Assim, poderiam oferecer o complemento necessário à cultura dominante, caracteristicamente masculina. Nesse sentido, propunha: "O verdadeiro problema cultural que colocamos assim (produzirá a liberdade que as mulheres buscam novas qualidades culturais) só encontrará resposta positiva mediante uma nova partilha das profissões ou mediante uma nova modulação destas, fazendo não que as mulheres se tornem cientistas ou técnicas, médicas ou artistas no sentido em que os homens o são, mas que realizem trabalhos que eles são incapazes de realizar. Trata-se, em primeiro lugar, de estabelecer uma outra divisão do trabalho, de redistribuir os trabalhos globais de uma profissão dada, de reunir depois os elementos especificamente adaptados ao modo de trabalho feminino para constituir esses ofícios parciais, singulares, diferenciados. Não se obteriam, assim, apenas um aperfeiçoamento e um enriquecimento extraordinários de todo o setor de atividade envolvido, mas também se evitaria em boa parte a concorrência dos homens." (grifos meus) (Simmel, 1993:74).

Simmel raciocinava em termos da complementaridade trazida pela experiência feminina, bastante diferenciada da masculina, tanto por questões culturais quanto naturais. O fato de desacreditarmos hoje da existência de uma suposta "natureza feminina" não invalida suas colocações, afinal as diferenças de gênero, construídas social e culturalmente, marcaram profundamente a formação de nossa identidade ao longo do tempo, assim como a definição dos espaços sociais femininos e masculinos. O filósofo defendia que a luta pela emancipação das mulheres, pela destruição dos preconceitos sexistas, pela igualdade de direitos entre os sexos traria grandes benefícios para a humanidade, pois considerava a cultura masculina como restrita, dura, objetiva e racional, ou seja, excludente de outras importantes dimensões vitais da experiência humana. A entrada das mulheres na vida pública e social poderia, afirmava ele, transformar e enriquecer consideravelmente a maneira de viver, de pensar e de solucionar os problemas individuais e coletivos, inovando em relação aos métodos utilizados e às técnicas produzidas. Num pensamento bastante avançado, pensava muito mais em termos da interação de duas culturas sexualmente determinadas, do que na substituição de uma pela outra. Assim, na medicina, dizia ele, as mulheres dariam uma enorme contribuição, pois tendo um aprendizado diferente de lidar com o corpo e com as emoções, poderiam perceber melhor e mais detidamente o próprio doente.

"Os métodos de exame clínico tidos como objetivos logo se esgotam, se não forem completados por um conhecimento subjetivo do estado do doente e de seus sentimentos, seja esse conhecimento imediatamente instintivo, seja mediatizado por manifestações quaisquer. (...) é por isso que estou persuadido de que, confrontada a mulheres, uma médica, além de ter o diagnóstico mais exato e o pressentimento mais fino para tratar dos casos individuais de maneira conveniente, ainda poderia, sob o ângulo puramente científico, descobrir conexões típicas, não detectáveis por um médico, e dar com isso contribuições específicas à cultura objetiva; porque as mulheres possuem, com sua constituição idêntica, uma ferramenta de conhecimento recusada aos homens." (Simmel, 1993:76).

Na mesma direção, a anarquista italiana Luce Fabbri, desde os anos 30, acreditou que as mulheres podiam dar uma contribuição especial à cultura dominante, justamente por não terem tido a experiência de guerra dos homens, por não terem participado dos governos, dos exércitos, da polícia e por terem desenvolvido uma cultura salutar, ligada aos cuidados com a vida, com a organização doméstica e com a sobrevivência das crianças e velhos. Numa entrevista realizada em 1996, afirmou: "...as mulheres têm algo de seu para dar, algo de gênero, uma experiência única de uma economia não competitiva: a economia doméstica, em que as crianças têm precedência, em que os velhos estão assistidos porque são velhos, em que cada qual dá o que pode e consome o que necessita, isto é a economia doméstica.5

No Brasil, infelizmente, as pesquisas históricas referentes aos discursos científicos e políticos predominantes até os anos 60, masculinos, é claro, permitem perceber muito menos os ecos dessas concepções filóginas, na problematização das relações entre os gêneros, do que a acentuação dos discursos misóginos, produzidos e reproduzidos no contexto das discussões sobre os rumos de construção da nação e a formação do povo.

Principalmente a partir da instalação da República, do início da industrialização, da imigração européia maciça e da modernização das cidades, desde o final do século XIX, a maioria dos médicos, juristas, políticos, escritores, jornalistas e ativistas políticos, reagiu muito mais negativamente às transformações que desestabilizavam as relações entre mulheres e homens. Para eles, a desestabilização das antigas fronteiras de gênero destruiria a antiga organização familiar e as definições tanto da feminilidade quanto da masculinidade. Muitos reagiam inquietos à emergência das reivindicações feministas, à modernização dos costumes, ao surgimento de novas formas de sociabilidade, ao crescimento das práticas de lazer, dos passeios nas ruas aos novos ritmos musicais e às novidades da moda.

Os médicos tiveram um papel bastante grande na redefinição dos códigos da sexualidade feminina, ao buscar na própria anatomia do corpo da mulher os limites físicos, intelectuais e morais à sua integração na esfera pública. Esforçaram-se para definir a especificidade do corpo feminino em relação ao masculino, acentuando seus principais traços: fraqueza e predestinação à maternidade. Para o importante dr. Roussel, médico iluminista francês, cujas teorias tiveram ampla repercussão no mundo ocidental, na mulher "os ossos são menores e menos duros, a caixa toráxica é mais estreita; a bacia mais larga impõe aos fêmures uma obliqüidade que atrapalha o andar, pois os joelhos se tocam, as ancas balançam para encontrar o centro de gravidade, o andar é vacilante e inseguro, a corrida rápida é impossível às mulheres", explica Knibiehler (1983:90).

Ademais, os doutores conseguiram ampla penetração social, como inúmeros estudos mostram, interferindo incisivamente na constituição do imaginário social e sexual, sobretudo por apresentarem-se como portadores do discurso científico legítimo, produtor da verdade e das soluções aos problemas da doença e da morte.6

Nesse sentido, o saber médico informou uma série de práticas autoritárias e misóginas, que permitiram justificar objetivamente a exclusão das mulheres de inúmeras atividades políticas, econômicas e sociais, para não dizer das sexuais, estigmatizando aquelas que, como as feministas, se colocaram na contramão. Ao mesmo tempo, propôs alternativas para um reajustamento das relações de gênero, mantendo inalteradas as formas da dominação masculina. Segundo a "brasilianista" Susan Besse (1996), as relações sexuais foram modernizadas, nas décadas iniciais do século, tendo em vista atender às necessidades masculinas, mas não acabar com as desigualdades de gênero.

Contudo, o medo e à aversão ao feminino, visto como o grande desconhecido, não impediu a própria transformação da vida social e das formas culturais ao longo de todo o século XX, principalmente em função da crescente entrada das mulheres no mundo público, a partir dos anos 70.

DA FEMINIZAÇÃO CULTURAL

A maneira pela qual a valorização da cultura feminina tem afetado nosso mundo é perceptível em vários momentos, dos quais seria importante apenas sugerir alguns breves exemplos no âmbito da ciência, da política e da sexualidade.

Em relação à produção do conhecimento, sem dúvida alguma a constituição de uma área de "estudos feministas" em quase todas as universidades do mundo ocidental permitiu inovar profundamente não apenas no reconhecimento da participação das mulheres nos processos históricos, mas na crítica à própria narrativa histórica, vista agora como produção sexuada ou "generificada" (gendered).7 Da inclusão das mulheres nos acontecimentos políticos e sociais, passou-se a perceber as dimensões femininas da vida humana, antes excluídas do discurso histórico, a exemplo da história da vida privada, da história das sensibilidades, das emoções, dos sentimentos, e de outras dimensões consideradas femininas em nossa cultura (Rago, 1996). E daí perceberam-se praticamente as limitações dos conceitos masculinos, inscritos na lógica da identidade, para representar o "irrepresentável" e, nesse caso, para dar conta das experiências e práticas femininas, ou de outros grupos sexuais.

A epistemologia feminista, como mostra Sandra Harding (1996:13), apontou para a necessidade da descentralização do foco da atenção da masculinidade no interior do pensamento e nas práticas sociais: o masculino, embora instituído culturalmente, deveria deixar de ser o único padrão existente para o assim chamado ser humano, uma vez que os homens não são os únicos habitantes humanos do planeta. Centrar a atenção exclusivamente nas necessidades masculinas, nos seus interesses, desejos, concepções, garante apenas uma compreensão distorcida e parcial das práticas sociais.

Na área da política, o feminismo questionou, de maneira diferenciada nos seus dois momentos expressivos - os anos 20/30 e os anos 60/80 do século passado -, os conceitos básicos que sustentam os princípios liberais, como o universalismo, a idéia de liberdade e igualdade, originados a partir do contrato social, denunciando que este sempre foi formado a partir da exclusão de muitos e que, portanto, a constituição de uma esfera pública autônoma só seria possível pela perspectiva da diferença e não da igualdade. Várias autoras observaram que "os estudos feministas, assim como os estudos étnicos ou antiimperialistas, promovem um deslocamento radical de perspectiva ao assumir como ponto de partida de suas análises o direito dos grupos marginalizados de falar e representar-se nos domínios políticos e intelectuais que normalmente os excluem, usurpam suas funções de significação e representação e falseiam suas realidades históricas" (Holanda, 1994:8).

Buscando a construção de um novo conceito de cidadania, Sonia Alvarez mostrou como a atuação das mulheres e sua interferência na esfera pública burguesa, no Brasil das últimas décadas, forçou a incorporação de suas demandas, levando a que se ampliasse seu espaço de representação. As mulheres passaram a participar de todos os campos social e político: suas demandas foram levadas aos partidos políticos, às centrais de trabalhadores, aos sindicatos, aos coletivos e criaram-se instituições especificamente voltadas para a questão feminina (Alvarez, 1990; Alvarez e Escobar, 1992). Evidentemente, são muitos os problemas que emergem a partir de então, mas, sem dúvida alguma, a visibilidade que a "questão feminina" ganha não deixa de ser um ponto de partida fundamental para qualquer negociação possível.

Segundo outra feminista, Eleonora Menicucci de Oliveira (1990), as mulheres politizaram praticamente o privado, desfazendo as tradicionais barreiras que opõem o público-masculino ao privado-feminino. Ao trazerem as questões privadas para o espaço público, ao assumirem a discussão pública de sua sexualidade, entre os anos 70 e 80, forçaram sua incorporação e produziram uma profunda transformação naquilo que era considerado os direitos de cidadania. Nesse sentido, a sexualidade, antes silenciada e considerada questão de pouca importância política e social, foi trazida para o cenário político, levando a uma discussão sobre os pressupostos hierárquicos que regem nossas representações sexuais e nossas definições do lícito e do ilícito para toda a sociedade.

É preciso levar em conta a tradição política autoritária e clientelista de nosso país, onde nunca se formou uma clara noção de esfera pública moderna e de direitos do cidadão. Aqui, as mulheres sempre foram vistas como muito mais irracionais do que os homens pobres, porque foram consideradas como muito mais sensuais e sexualizadas do que as dos países de tradição puritana. Discutir a sexualidade no Brasil é, então, de extrema importância, pois com base no argumento da "sensualidade tropical", característica fundamental das mulheres, das índias nuas às mulatas carnavalescas de Sargentelli, justificou-se a dominação masculina e patriarcal e sua exclusão do mundo dos negócios e da política (Parker, 1993). Lembre-se que, poucas décadas atrás, "mulher pública" evocava a prostituta e não uma figura que participava do mundo da política, e que as prostitutas, no passado, também não haviam ainda criado seus movimentos de luta pela cidadania, como o que surge a partir de 1987, nem sugerido a figura da "trabalhadora do sexo" como alternativa política para sua identidade.

O feminismo veio questionar essa leitura hierarquizadora e excludente da política, informada pelo discurso médico masculino, que justificava com base em argumentos científicos a incapacidade física e moral das mulheres para a condução dos negócios da cidade. Mostrou como se opera a exclusão social das mulheres do mundo público, assim como o silenciamento e a desqualificação de seus temas e questões. Lutou e luta para que as mulheres se reconheçam como sujeitos políticos, cidadãs com deveres e direitos a serem reconhecidos e criados. Tem ampliado, portanto, o conceito de cidadania, propondo uma nova concepção da prática política, que se manifesta não apenas nos espaços permitidos e institucionalizados da política, mas na própria vida cotidiana.

Contudo, é importante remontar ao passado e perceber como essa tradição de pensamento se constituiu historicamente, onde e quando as primeiras feministas enunciaram seus temas, revelando a especificidade da condição feminina; onde e quando falaram publicamente sobre a questão da sexualidade, abrindo espaço para sua interferência no público; onde e quando se manifestaram em prol da emancipação feminina e foram silenciadas e excluídas. Se essa crítica foi amplamente formulada nas últimas décadas do século XX pelo movimento feminista, vale lembrar que foi colocada no próprio movimento de constituição da esfera pública, no final do século XIX, e que o silenciamento deste fato pela memória histórica masculina estabelece mais um elemento da exclusão das mulheres do direito de viver com dignidade.

Finalmente, para além do questionamento da política e das restrições da cidadania, o feminismo expandiu sua crítica para as bases de constituição da racionalidade que norteia as práticas sociais e sexuais. Estendeu a crítica às próprias formas da cultura, revelando como a dominação se constitui muito mais sofisticadamente nas próprias formas culturais que instituem uma leitura da política e da vida em sociedade, convergindo com outras correntes do pensamento pós-moderno, como "o pensamento da diferença".8 Nesse sentido, longe de pretender destronar o "rei" para colocar em seu lugar uma "rainha", o feminismo propõe a destruição da monarquia no pensamento e nas práticas sociais, inclusive dentro de si mesmo. Afinal, hoje as feministas dificilmente aceitariam falar em nome de um único feminismo, pluralizando, portanto, suas definições e campos de atuação.

POR UM MUNDO FILÓGINO

Retomando a pergunta inicial: como se explica, então, a atitude antifeminista socialmente difundida e incorporada, mesmo por aquelas que usufruem das conquistas feministas que levaram muitas décadas para se concretizar? Certamente, o mecanismo de naturalização e de cristalização das práticas sociais, que implica sua des-historicização, é fundamental na configuração do imaginário misógino. De outro modo, como entender esse grande paradoxo que não permite atar nenhum fio com a tradição feminista que herdamos, fazendo supor que um dia o mundo mudou, as portas se abriram para as mulheres e ponto final? Como entender que as mulheres independentes do nosso mundo, sobretudo as jovens, as mais livres, não se identifiquem ou não se sintam em nada devedoras em relação àquelas que lutaram, ou lutam pela abertura do campo de possibilidades de que desfrutam na atualidade, senão por um mecanismo perverso que faz com que tomem como origem o que não deixa de ser efeito produzido cultural e socialmente?

Uma mudança de olhar, um pensamento diferencial poderia dar conta de permitir uma maior sensibilidade em relação ao feminino e à construção de um mundo filógino. Ou será uma questão de coração, mais do que de olhar?

Filoginia, do grego philos, amigo + gyne, mulher - amor às mulheres - antônino Misoginia, aversão às mulheres (Grande Dicionário Larousse, 1999:432).

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Mulher fala demais!

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos mostrou que os homens usam em média 1.500 palavras por dia, enquanto as mulheres usam, no mínimo, 3.000 (O DOBRO) [que conclusão inteligente a do narrador hein: 3000 é o dobro de 1500]

Num congresso, quando o estudo foi apresentado, uma mulher se levantou e disse:
- É lógico que as mulheres falam o dobro que os homens: nós temos que repetir tudo o que dizemos para que os homens entendam!

E o orador perguntou:
- Como assim?

Revista feminina no afeganistão


O Afeganistão possui poucas revistas femininas, dentre elas a: "Malalai". A revista tem 64 páginas e evita abordar alguns assuntos, como divórcio e contraceptivos. Malalai, nome de uma lendaria heroina afegã, é o título de um semanário de serviços para as mulheres e que também abre espaços para noticias políticas e culturais.

Jamila Moujahed, é a redatora-chefe de "Malalai", a primeira revista feminina afegã publicada desde o fim do taliban. Essa revista assumiu uma missão que pareceria simples num outro país, mas é muito complexa no Afeganistão: tornar as mulheres novamente visíveis. O detalhe mais curioso é que a publicação é vendida por um valor equivalente a R$ 0,36.

"Malalai Joya, a jovem delegada afegã da província Farah, perto da fronteira com o Irão, que fez furor há dois anos quando criticou duramente os líderes jihadi afegãos durante uma sessão do Loya Jirga (o Parlamento local) constitucional, foi eleita pela sua província natal nas eleições do passado dia 18 de Setembro." - http://www.ateismo.net/diario/2005/10/parabns.php

No site da Globo.com tem uma página com a sinopse do Inimigos da Felicidade (Vores Lykkes Fjender), documentário cuja personagem é a Malalai. O documentário até participou do Sundance Film Festival - link da premiação no You Tube.

A Cultura feminina está sendo perdida

A ausência de algumas tradições pode ser mais preocupante do que se imagina. Não comprar ou não ganhar o enxoval, por exemplo, pode até gerar uma perda de identidade.

Desde que fomos tomados pela cultura moderna, onde as funções sociais e econômicas perderam as suas características de gênero e as mulheres submergiram de cabeça no universo profissional assexualizado, estamos nos desfazendo de uma memória bem antiga, que nos leva à época de quando a mulher fazia o ponto de ligação entre a casa e a rua. Se, por um lado, somos muito mais independentes, capazes de gerir o nosso destino e daqueles que estão à nossa volta, a contrapartida para tanta autonomia é o anonimato do mundo cibernético e globalizado, que não despersonalizou somente os seres humanos, mas, os ambientes, as comidas, as músicas, tudo o que nos cerca. Mas, isto é outra história.

O nosso ponto é que a cultura feminina deslocou-se, no tempo recorde de apenas um século, da vida privada à vida pública - desfazendo-se, com isto, de todos aqueles papéis que julgamos hoje serem repressores, passivos, diante da esfera do trabalho e dos ganhos financeiros. De paletó ou em um pretinho básico, cabelos curtos, ambição à vista e a prazo, as mulheres ganharam sua identidade masculina, o que foi fundamental. Mas, ainda carecem de identidade própria, algo do tipo: ter poder, mas também ser sensível, será possível?

O passado pode nos fazer pensar sobre esta perda de identidade, e a exemplo da filosofia e da arte, pode nos ensinar que nem tudo que fazíamos "antigamente" tinha pouca importância e deve ser jogado fora preconceituosamente. Pois, naquele mundo interiorizado das casas, vivido pela mulher até meados do século XX, regíamos as relações amorosas e sociais de nossas famílias. Recuperar esta história é dar-se conta que éramos senhoras de saberes muito delicados, bordados pelo silêncio e simbolizados nas formas, incluindo-se aí a fabricação dos artesanatos, comidas, utensílios, etc. Os enxovais representam uma tradição que vem cada vez mais se perdendo e, com ela, parte de nossa história feminina.

Os enxovais eram feitos pelas mulheres da família e presenteados à noiva no dia do seu casamento. A palavra enxoval vem do árabe - as siwar - que quer dizer utensílio, mobiliário. Através de documentos antigos podemos ver que os enxovais refletiam o nível econômico de um grupo social, como também testemunhavam a cultura material de uma época. Se perguntarmos às nossas avós, vamos ver que receber ou possuir um enxoval era essencial para uma mulher. Muitas vezes, condição sine qua non de um casamento, por estar no enxoval o objeto ritual mais importante da união - a camisola da lua de mel.

Até a década de 30, no século XX, era quase inconcebível pensar no casamento sem o enxoval, por mais simples que este fosse. Como a melhor perspectiva para uma mulher era casar e ter filhos, quando a moça fazia a primeira comunhão, começava-se a fabricar o enxoval. Nos tempos mais remotos, quando não haviam os fios industrializados, as lições começavam pela roda de fiar. Primeiramente, confeccionava-se os fios para depois aprender os pontos do bordado. Como as mulheres não trabalhavam, havia tempo de sobra para todos estes procedimentos. Com o fio industrializado foi possível criar novos pontos de bordado e os desenhos ficaram mais ricos. Todos os panos, dos lençóis à camisola, eram brancos, como os temas bordados também. Tinham, também, que ser novos, como os noivos, para que a relação tivesse sucesso.

Em todos os objetos que se incluísse no enxoval havia uma técnica comum. Primeiro, bordava-se e/ou pintava-se a primeira letra do nome dela, para quando tudo tivesse decidido, se incluísse o nome dele. Se a família fosse abastada, as iniciais eram substituídas pelo brasão da união familiar.

Até o início do século XIX, não dar um enxoval à uma filha que estava para casar, era deixá-la partir quase nua. A composição dos enxovais variava conforme o grupo social, a região e a época. Para as famílias pobres, esta obrigatoriedade do enxoval gerava situações ora interessantes, ora trágicas. Se a família do marido aceitasse a pobreza da nora, todas as mulheres da vizinhança se reuniam e recolhiam tecidos que eram por elas bordados e davam de presente para ela. Mas, se a falta do dote não fosse perdoada pela família do pretendente, o casamento não se realizava.

Já em relação às famílias ricas, o enxoval englobava todo o mobiliário do quarto de casal, como também alguns móveis essenciais para a casa, como a mesa de jantar, os sofás e em caso de separação ou viuvez, este patrimônio voltava para a mulher. As peças eram minuciosamente discriminadas no contrato do casamento para que no futuro não houvesse dúvidas de que elas estavam intimamente ligadas à sua dona.

As lingeries são uma novidade do século XIX e, com elas, fazia-se a passagem do saber sobre o uso do corpo na sedução do homem. Através do corte, do comprimento e de detalhes decorativos, a mãe ensinava à filha o que deveria ser revelado e escondido de sua sexualidade. Neste sentido, apesar de não ser composto por palavras, o enxoval era, na verdade, uma linguagem fundadora do que era pertinente do ser feminino.

O sentido do enxoval (os lençóis e a cama, a camisola e lingeries ) é claro: estimular a sensualidade do casal. O interessante é que todo este saber estava controlado pelas mulheres e era transmitido de maneira especial entre mãe e filha. Esta ligação amorosa e feminina dispensava as palavras e preenchia uma vida aprisionada. O enxoval era uma tarefa da mãe, tão importante quanto alimentar e vestir os filhos, ao mesmo tempo em que era o assunto principal da filha, que ia crescendo, amadurecendo e dando concretude à sua vida futura de mulher, na mesma medida em que seu quarto e objetos pessoais iam ganhando forma e sentido.

Por fim, se por um acaso faltassem recursos para completar o enxoval, era muito comum que a menina-moça prestasse serviços em busca de uns trocados. Trabalhava como costureira ou bordadeira, e outros serviços, que lhe permitisse dar continuidade ao seu enxoval. Como pode esta tradição quase desaparecer? Pasmem, na Europa, com a Segunda Guerra Mundial, que inviabilizou, por motivos óbvios, o costume. Nas Américas, com o início das lojas de departamento, que tornou mais barato e fácil à compra de produtos pré-fabricados.

Símbolos dos tempos onde a mulher nascia e morria para casar, os enxovais devem ser vistos também como uma verdadeira experiência de alegria e redenção das mulheres durante muitos séculos. Ao mesmo tempo em que eles representavam uma vida isolada, eles refletiam, através de suas formas delicadas, um ritual através do qual era possível exercer o prazer de criar.

Fotos que mudaram o mundo

A imagem de Che
A famosa foto de Che Guevara, conhecida formalmente como "Guerrilheiro Heróico", onde aparece seu rosto com a boina negra olhando ao longe, foi tirada por Alberto Korda em 5 de março de 1960 quando Guevara tinha 31 anos num enterro de vítimas de uma explosão. Somente foi publicada sete anos depois. O Instituto de Arte de Maryland - EUA denominou-a "A mais famosa fotografia e maior ícone gráfico do mundo do século XX". É, sem sombra de dúvidas, a imagem mais reproduzida de toda a história expressa um símbolo universal de rebeldia, em todas suas interpretações, (segue sendo um ícone para a juventude não filiada às tendências políticas principais)

A agonia de Omayra
Omayra Sanchez foi uma menina vítima do vulcão Nevado do Ruiz durante a erupção que arrasou o povoado de Armero, Colômbia em 1985. Omayra ficou 3 dias jogada sobre o lodo, água e restos de sua própria casa e presa aos corpos dos próprios pais. Quando os paramédicos de parcos recursos tentaram ajudá-la, comprovaram que era impossível, já que para tirá-la precisavam amputar-lhe as pernas, e a falta de um especialista para tal cirurgia resultaria na morte da menina. Omayra mostrou-se forte até o último momento de sua vida, segundo os paramédicos e jornalistas que a rodeavam. Durante os três dias, manteve-se pensando somente em voltar ao colégio e a seus exames e a convivência com seus amigos. O fotógrafo Frank Fournier, fez uma foto de Omayra que deu a volta ao mundo e originou uma controvérsia a respeito da indiferença do Governo Colombiano com respeito às vítimas de catástrofes. A fotografia foi publicada meses após o falecimento da garota. Muitos vêem nesta imagem de 1985 o começo do que hoje chamamos Globalização, pois sua agonia foi vivenciada em tempo real pelas câmaras de televisão de todo o mundo.

A menina do Vietnã
Em 8 de junho de 1972, um avião norte-americano bombardeou a população de Trang Bang com napalm. Ali encontrava-se Kim Phuc e sua família. Com sua roupa em chamas, a menina de nove anos corria em meio ao povo desesperado e no momento, que suas roupas tinham sido consumidas, o fotógrafo Nic Ut registou a famosa imagem. Depois, Nic levou-a para um hospital onde ela permaneceu por durante 14 meses sendo submetida a 17 operações de enxerto de pele. Qualquer um que vê essa fotografia, mesmo que menos sensível, poderá ver a profundidade do sofrimento, a desesperança, a dor humana na guerra, especialmente para as crianças. Hoje em dia Pham Thi Kim Phuc está casada, com 2 filhos e reside no Canadá onde preside a "Fundação Kim Phuc", dedicada a ajudar as crianças vítimas da guerra e é embaixadora da UNESCO.

Execução em Saigon
- "O coronel assassinou o preso; mas e eu... assassinei o coronel com minha câmara? - Palavras de Eddie Adams, fotógrafo de guerra, autor desta foto que mostra o assassinato, em 1 de fevereiro de 1968, por parte do chefe de polícia de Saigon, a sangue frio, de um guerrilheiro do Vietcong. Adams, correspondente em 13 guerras, obteve por esta fotografia um prêmio Pulitzer; mas ficou tão emocionalmente tocado com ela que converteu-se em fotógrafo paisagístico.

A menina Afegã
Sharbat Gula foi fotografada quando tinha 12 anos pelo fotógrafo Steve McCurry, em junho de 1984. Foi no acampamento de refugiados Nasir Bagh do Paquistão durante a guerra contra a invasão soviética. Sua foto foi publicada na capa da National Geographic em junho de 1985 e, devido a seu expressivo rosto de olhos verdes, a capa converteu-se numa das mais famosas da revista e do mundo. No entanto, naquele tempo ninguém sabia o nome da garota. O mesmo homem que a fotografou realizou uma busca à jovem que durou exatos 17 anos. Em janeiro de 2002, encontrou a menina, já uma mulher de 30 anos e pôde saber seu nome. Sharbat Gula vive numa aldeia remota do Afeganistão, é uma mulher tradicional pastún, casada e mãe de três filhos. Ela regressou ao Afeganistão em 1992.

O beijo do Hotel de Ville
Esta bela foto, que data de 1950, é considerada como a mais vendida da história. Isto devido à intrigante história com a que foi descrita durante muitos anos: segundo contava-se, esta foto foi tirada fortuitamente por Robert Doisneau enquanto encontrava-se sentado tomando um café. O fotógrafo acionava regularmente sua câmara entre as pessoas que passavam e captou esta imagem de amantes beijando-se com paixão enquanto caminhavam no meio da multidão. Esta foi a história que se conheceu durante muitos anos até 1992, quando dois impostores se fizessem passar pelo casal protagonista desta foto. No entanto o Sr. Doisneau indignado pela falsa declaração, revelaria a história original declarando assim aquela lenda: a fotografia não tinha sido tirada a esmo, senão que tratava-se de dois transeuntes que pediu que posassem para sua lente, lhes enviando uma cópia da foto como agradecimento. 55 anos depois Françoise Bornet (a mulher do beijo) reclamou os direitos de imagem das cópias desta foto e recebeu 200 mil dólares.

O beijo da Time Square
O Beijo de despedida a Guerra foi feita por Victor Jorgensen na Times Square em 14 de Agosto de 1945, onde um soldado da marinha norte-americana beija apaixonadamente uma enfermeira. O que é fora do comum para aquela época é que os dois personagens não eram um casal, eram perfeitos estranhos que haviam acabado de encontrar-se. A fotografia, grande ícone, é considerada uma analogia da excitação e paixão que significa regressar a casa depois de passar uma longa temporada fora, como também a alegria experimentada ao término de uma guerra.

O homem do tanque de Tiananmen
Também conhecido como o "Rebelde Desconhecido", esta foi a alcunha que foi atribuido a um jovem anônimo que se tornou internacionalmente famoso ao ser gravado e fotografado em pé em frente a uma linha de vários tanques durante a revolta da Praça de Tiananmen de 1989 na República Popular Chinesa. A foto foi tirada por Jeff Widener, e na mesma noite foi capa de centenas de jornais, noticiários e revistas de todo mundo. O jovem estudante (certamente morto horas depois) interpôs se a duas linhas de tanques que tentavam avançar. No ocidente as imagens do rebelde foram apresentadas como um símbolo do movimento democrático Chinês: um jovem arriscando a vida para opor-se a um esquadrão militar. Na China, a imagem foi usada pelo governo como símbolo do cuidado dos soldados do Exército Popular de Libertação para proteger o povo chinês: apesar das ordens de avançar, o condutor do tanque recusou fazê-lo se isso implicava causar algum dano a um cidadão(hã hã).

Protesto silencioso
Thich Quang Duc, nascido em 1897, foi um monge budista vietnamita que sacrificou-se até a morte numa rua super movimentada de Saigon em 11 de junho de 1963. Seu ato foi repetido por outros monges. Enquanto seu corpo ardia sob as chamas, o monge manteve-se completamente imóvel. Não gritou, nem sequer fez um pequeno ruído. Thich Quang Duc protestava contra a maneira que a sociedade oprimia a religião Budista em seu país. Após sua morte, seu corpo foi cremado conforme à tradição budista. Daí você poderia perguntar: - "Existiria mais alguma coisa para cremar?" Hum hum... durante a cremação seu coração manteve-se intacto, pelo que foi considerado como quase santo e seu coração foi transladado aos cuidados do Banco de Reserva do Vietnã como relíquia.

Espreitando a morte
Em 1994, o fotógrafo Sudanês Kevin Carter ganhou o prêmio Pulitzer de fotojornalismo com uma fotografia tomada na região de Ayod (uma pequena aldeia em Suam), que percorreu o mundo inteiro. A figura esquelética de uma pequena menina, totalmente desnutrida, recostando-se sobre a terra, esgotada pela fome, e a ponto de morrer, enquanto num segundo plano, a figura negra expectante de um abutre se encontra espreitando e esperando o momento preciso da morte da garota. Quatro meses depois, abrumado pela culpa e conduzido por uma forte dependência às drogas, Kevin Carter suicidou-se.

The Falling Man
The Falling Man é o título de uma fotografia tirada por Richard Drew durante os atentados do 11 de setembro de 2001 contra as torres gêmeas do WTC. Na imagem pode-se ver um homem atirando-se de uma das torres. A publicação do documento pouco depois dos atentados irritou a certos setores da opinião pública norte-americana. Ato seguido, a maioria dos meios de comunicação se auto-censurou, preferindo mostrar unicamente fotografias de atos de heroísmo e sacrifício. Ah sim... mas eles passaram exaustivamente na TV a morte de Saddam...

Triunfo dos Aliados
Esta fotografia do triunfo dos aliados na segunda guerra, onde um soldado Russo agita a bandeira soviética no alto de um prédio, demorou a ser publicada pois as autoridades Russas quiseram modificá-la. A bandeira era na verdade uma toalha de mesa vermelha e o soldado aparecia com dois relógios no pulso, possivelmente produto de saque. Sendo assim foi modificada para que não ficase feio para os soviéticos.

Protegendo a cria
Uma mãe cruza o rio com os filhos durante a guerra do Vietnã em 1965 fugindo da chuva de bombas americanas.





Necessidade
Soldados e aldeãos cavam sepulturas para as vítimas de um grande terremoto acontecido em 2002 no Irã enquanto um menino segura as calças do pai antes dele ser enterrado.